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Pra dançar créu tem que ter disposição!

Wednesday, January 30th, 2008

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Cada geração tem o Tchan que merece. Aliás, quem diria que o grupo inicialmente capitaneado por Beto Jamaica, Cumpadre Washington, Jacaré, Débora Brasil e Carla Perez na, hmm, formação crássica, surgiu para o cenário musical tupiniquim há quase quinze anos?

Pois bem: a onda agora é a indefectível Dança do Créu, uma espécie de amálgama entre a axé music baiana surgida nos anos 90 e o pornofunk que apareceu primeiro no Rio e depois infectou o resto do Brasil no final do século passado. Composta por Sérgio Costa, que hoje em dia é mais conhecido, compreensivelmente, pela alcunha de MC Créu, tornou-se a música (sic) do verão de 2008 por aplicar-se perfeitamente ao conceito que os alemães sintetizam em uma única palavra: “ohrwurm”, cuja tradução literal é “verme de ouvido”. Ou seja: toda música que, feito um vírus, contamina os tímpanos de toda uma população, fazendo com que incautos como eu e você não consigam tirá-la da cabeça.

Além da canção ser pegajosa feito chiclete na sola do sapato, a Dança do Créu também tornou-se sucesso graças à, hmm, coreografia criada pelas dançarinas Daiane e Andressa, moças de abundantes dotes corporais. O destaque fica por conta de Andressa, conhecida também pela alcunha de “Garota Melancia”: a moça tem expressionantes 121 centímetros de quadris! Para termos de comparação: na sua época de loira do Tchan, Carla “I de iscolar” Perez tinha 102 cm de derrière.

Em matéria publicada na revista Viva!, a repórter Daniele Maia, com o auxílio de duas modelos, ensina passo a passo como se faz pra aprender a coreografia do funk do Créu até a velocidade cinco. Siga por sua própria conta e risco. Ou não.

Via Bobagento.

P.S.: Compare preços de DVDs de funk no BuscaPé. Ou não.

Músicas novas de Sandy, em fase roqueira, vazaram na internet?

Monday, January 21st, 2008

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Há pouco mais de um mês o blog Com Limão divulgou que a cantora Sandy, recém-separada da dupla que fazia com seu irmão Júnior, teria liberado na internet algumas de suas novas músicas. As gravações têm claramente uma pegada mais rock; ainda assim, remetem aos álbuns mais recentes de cantoras como Hilary Duff e Avril Lavigne. Só acredita ouvindo? Então confira “Te Dizer”, faixa postada no site iJigg.

A música foi publicada pelo usuário “Victtoria”, que em tese seria o codinome secreto utilizado por Sandy. E, de fato, a voz lembra muito a da filha do Xororó. Que, antes da separação artística do seu irmão, já estava botando as asinhas de fora, vide estes versos que escreveu para a canção “Discutível Perfeição”, do álbum que Sandy & Júnior gravaram em 2006: “Esse glamour não dura o tempo inteiro, eu também preciso ir ao banheiro / A princesa também briga, encrenca, berra e fala palavrão”.

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No entanto, bastou fazer uma breve pesquisa no Google para descobrir que Victtoria é uma banda que tem página no site da Trama Virtual, e que o nome de sua vocalista é Marina. Ainda assim, é curioso notar a ausência de maiores informações sobre o grupo (qual o nome dos outros integrantes?), assim como a salada feita na citação das maiores influências do Victtoria: eles misturam Christina Aguilera e Mariah Carey com Nação Zumbi, Racionais MC, Portishead e Tim Maia. Seria essa história uma maneira de encobrir a nova fase musical de Sandy?

O mistério terminou quando achei no Orkut a comunidade do grupo Victtoria, que inclusive elenca os nomes dos demais integrantes do grupo. Pois é, ainda não foi desta vez que a doce e angelical Sandy foi cooptada pelo espírito do rock’n roll e pelos deuses do Metal… lml

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Via Olhômetro.

Serviço: compare preços de CDs e DVDs de Sandy & Júnior no Bondfaro.

Você já desistiu de suas resoluções de ano novo?

Friday, January 18th, 2008

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Desde 1951 quase todos os brasileiros têm na ponta da língua os versos da canção Fim de Ano, composta por Francisco Alves (cantor conhecido como o Rei da Voz, que vendeu a impressionante quantia de 5 milhões de discos muito antes da implantação da indústria cultural no Brasil e morreu no auge da carreira, em um acidente automobilístico que comoveu o país) e David Nasser (polêmico jornalista que se consagrou na revista “O Cruzeiro”). Se você não conhece a música pelo seu título, certamente já cantarolou o seu refrão, que diz: “Adeus ano velho, feliz ano novo/ Que tudo se realize/ No ano que vai nascer/ Muito dinheiro no bolso/ Saúde pra dar e vender”.

Porém, aposto que você desconhece a segunda parte da música, cujos versos dizem: “Para os solteiros/ Sorte no amor/ Nenhuma esperança perdida/ Para os casados/ Nenhuma briga/ Paz e sossego na vida”. Desejos um tanto quanto utópicos (principalmente a parte da ausência de brigas), mas esperançosos, como qualquer música que celebra a mudança de ano deveria ser. E aí faço a você, leitor incauto que me lê: a esta altura do campeonato, passada mais da metade do primeiro mês de 2008, você persiste cumprindo as inequívocas promessas de ano novo que você possivelmente fez enquanto comia lentilhas ou pulava sete ondinhas em alguma praia? Confesso que andei dando umas derrapadas em algumas das minhas metas para 2008 (principalmente na parte dos exercícios físicos), mas no geral creio que até que estou indo bem. :)

Em tempo: a foto que ilustra este post é do sensacional réveillon de Fortaleza que foi celebrado na praia de Iracema aos 45 minutos do segundo tempo do ano passado, que levou milhares de pessoas para comemorar a chegada de 2008 ao som de artistas como Falcão (autor de algumas das músicas com melhores títulos que conheço, como “A Terra Há de Comer Já Que Eu Não Comi”, “As Bonitas Que Me Perdoem, Mas a Feiúra é de Lascar” e “O Amor Que Antes de Ser Já Era”), Alcione e os Paralamas do Sucesso. Aliás, uma de minhas metas é essa: visitar pela primeira vez o Ceará e conhecer, enfim, a bela Fortaleza que até agora só conheço por meio de fotos e vídeos.

Encerro este post com o vídeo de uma excelente música sobre o assunto: “New Year’s Day”, do U2, canção que levou o U2 pela primeira vez ao Top 10 na Inglaterra e ao Top 100 da Billboard, em 1983. Uma das minhas músicas prediletas do grupo irlandês, e na qual Bono Vox afirma: “Tudo está quieto no dia de ano novo/ Um mundo de branco está a caminho/ E eu quero estar com você noite e dia/ Nada muda no dia de ano novo/ Eu estarei com você mais uma vez”.

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Por que o Buffalo Tom é tão pouco conhecido?

Tuesday, January 8th, 2008

Em um mundo ideal, bastaria você compor as músicas mais cativantes, gravá-las em arranjos matadores e pronto: seu grupo seria o número 1 nos hit parades, ocupando o lugar de loiras neuróticas que gostam de sair sem calcinha ou bandas emo de letras pueris simplesmente incapazes de achar rimas mais mirabolantes do que “razões” com “emoções”. Lamentavelmente, este mundo está na versão beta, e as devidas correções e eliminações de bugs só surgirão depois do Armageddon, quando eu e 97,42% dos meus amigos estivermos servindo como recheio dos caldeirões borbulhantes de Louis Cypher lá nas profundezas dos nove círculos de Dante.

Uma coisa que jamais aceitarei é saber que uma banda como o Buffalo Tom, responsável por algumas das mais belas canções que um grupo de rock já gravou, nunca emplacou um Top 10 na Billboard, permanece desconhecida das grandes massas e é ignorada até pela crítica em geral. Ouço, com renovado prazer no repeat do meu Winamp, músicas como “Late at Night”, “Wiser”, “Summer” ou “Taillights Fade”, porque são canções que me fazem imergir em toda uma série de reminiscências e pensamentos ligados a caminhadas com brisa no rosto, sorrisos de mulher, a incidência de um raio de sol em determinado ângulo no meu quarto, lembranças da criança besta e feliz que fui, e toda uma série de imagens mentais e vagamente oníricas que só grandes obras (em estado sóbrio, ressalte-se) são capazes de inspirar dentro da gente.

Mas o caso é que tudo na vida é uma questão de timing. Tenho a impressão de que o Buffalo Tom, que em meados dos anos 90 tinha o respaldo da crítica, no auge do movimento de rock alternativo que tocava nas rádios universitárias americanas (e que por estas bandas teve como principal meio de divulgação o programa “Lado B” da MTV tupinambá) e que gerou outras grandes bandas como o também esquecido (e injustiçado) Hüsker Dü, acabou sendo eclipsado pela efervescência de um movimento que ofuscou todo o resto do indie rock produzido naqueles tempos: o rock oriundo de Seattle e arredores, popularmente conhecido como grunge.

Infelizes daqueles que deixaram de conhecer as harmonias mesmerizantes, os refrões catárticos e a beleza pungente das gravações do Buffalo Tom. Que, diga-se de passagem, voltou a gravar um álbum de inéditas, Three Easy Pieces, após um longo hiato de nove anos. Você provavelmente sequer ouviu falar nesse lançamento, porque quase ninguém, a não ser a escassa base de fãs fiéis da banda no Brasil, esteve atento ao novo álbum. Confira, pois, o vídeo do single mais recente do Buffalo Tom, You’ll Never Catch Him, uma bela prova de que Bill Janovitz, Chris Colburn e Tom Maginnis ainda são capazes de criar canções para aquecer almas.

O presente de ano novo do Radiohead

Thursday, January 3rd, 2008

Depois de terem sacudido a indústria musical ao lançar o álbum “In Rainbows” na internet, permitindo que os internautas que baixassem as músicas em arquivos mp3 definissem quanto gostariam de pagar pelos downloads, o Radiohead aprontou mais uma bela surpresa: a transmissão em streaming, durante o réveillon, de um vídeo no qual tocou simplesmente todas as músicas de “In Rainbows” ao vivo.

O vídeo, batizado por Thom Yorke de “Scotch Mist”, foi exibido primeiramente na Radiohead.TV. Depois, como já era de se esperar, caiu no YouTube. Confiram logo abaixo os mais de 52 minutos do webcast de uma banda que, espero eu, ainda haverá de fazer shows na Terra Brasilis neste ano.

Quero ver você não chorar nem olhar pra trás

Friday, December 21st, 2007

banco-nacional.jpgCertos jingles possuem a capacidade de ficarem na memória afetiva da gente, perdurando mais que a própria empresa que os encomendou. Um bom exemplo do que digo é “Quero Ver Você Não Chorar”, criado para uma campanha de Natal do finado Banco Nacional.

Lula Vieira, diretor do comercial original, de 1971, chamou o amigo Edson Borges de Abrantes, vulgo Passarinho, grande parceiro de Dolores Duran, para compor a trilha sonora da propaganda. Edson adaptou uma composição originalmente feita para seu grupo, “Os Titulares do Ritmo”. A letra sofreu algumas adaptações, que fizeram com que o jingle fosse popularmente conhecido como o “Melô do Sexo Anal”. Tsc, tsc, que maldade desse pessoal que leva tudo por trás… Sigam a bolinha pulando e confiram a ingenuidade (ou não) desta letra.

Quero ver você não chorar, não olhar pra trás nem se arrepender do que faz
Quero ver o amor vencer, mas se a dor nascer você resistir e sorrir
Se você pode ser assim, tão enorme assim eu vou crer
Que o Natal existe, que ninguém é triste, que no mundo há sempre amor
Bom Natal, um Feliz Natal, muito amor e paz pra você
Pra você…

Não encontrei no YouTube a versão original dessa campanha, que contava inclusive com a presença de Zacarias (ele mesmo, o cara dos Trapalhões) como o regente do coral de crianças. O vídeo acima foi realizado em meados dos anos 80, e é a versão mais popular desse comercial. Porém, desgraçadamente este jingle ganhou nova versão nas vozes de Zezé di Camargo & Luciano, que embala os infames comerciais natalinos das Lojas Marabrás. Coisas da cultura de reciclation society que impera atualmente na publicidade. Como diria Kléber Bambam, “faz parte”. Mas enfim, o importante é o que importa: um Feliz Natal a todos os leitores do Pop Cabeça! :)

P.S.: Obrigado pela correção, Andrea!

Johnny Cash é o cara

Thursday, December 13th, 2007

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Antes de mais nada, um alerta: quem não conhece as músicas de Johnny Cash (1932-2003) precisa preencher o quanto antes essa lacuna. Sua cinebiografia é uma introdução razoável à vida e obra do Mestre, mas se você não ouvir canções como “Folsom Prison Blues”, “Cry, Cry, Cry” ou “Cocaine Blues”, corra atrás: garanto que você um dia me agradecerá por isso.

Pois bem: o singelo anúncio acima foi publicado na revista Billboard em 1998, em comemoração ao Grammy de Melhor Álbum Country que Cash recebeu por “Unchained”, disco produzido por Rick Rubin (o mesmo de grupos como Run DMC e Red Hot Chili Peppers). O texto é saborosamente irônico: “American Recordings e Johnny Cash gostariam de agradecer a indústria musical e as rádios country de Nashville pelo seu apoio“.

Na época da premiação, Cash, aos 65 anos de idade, estava indignado com o establishment: apesar da aclamação unânime da crítica, suas músicas eram simplesmente desprezadas pelas rádios country americanas, que consideravam seu som anacrônico (apesar de “Unchained” conter regravações de músicos contemporâneos como Soundgarden e Beck). Mas não apenas ele: seus colegas de geração, como os veteranos mestres do country Willie Nelson, Merle Haggard e George Jones, também eram sumariamente ignorados pelas FMs em geral.

Johnny, “The Man in Black“, nunca foi de fugir a uma briga. Em 1988, Cash começava a sofrer as primeiras seqüelas do Mal de Shy-Drager, doença degenerativa semelhante ao Mal de Parkinson. Contudo, apesar da saúde debilitada, não deixou perder a oportunidade de criticar a mediocridade das estações musicais americanas. Rick Rubin, seu produtor, tratou de financiar o anúncio, que foi primorosamente ilustrado com uma foto do “homem de preto” tirada em 1970, durante um show realizado na prisão de San Quentin, na Califórnia. No rodapé da foto, outra frase significativa: “obrigado a todos que fazem a diferença: vocês sabem quem são“.

Johnny Cash, ignorando os problemas de saúde, gravou álbuns até os 70 anos. Seu último álbum lançado em vida foi o primoroso “American IV: The Man Comes Around” (2002), que inclui a regravação de “Hurt”, do Nine Inch Nails. O clipe desta música, um verdadeiro réquiem que conta com a participação de June Carter, sua esposa e companheira de toda uma vida (falecida em maio de 2003), e exibe imagens de toda a carreira de Cash, foi dirigido por Mark Romanek e fez estrondoso sucesso: foi indicado a sete categorias no MTV Video Music Awards, ganhou o Grammy de melhor vídeo musical e ainda foi eleito o melhor clipe de country music de todos os tempos segundo o canal especializado CMT.

Após a morte de Johnny, ocorrida em 12 de setembro de 2003, foram feitos mais dois lançamentos com gravações inéditas: o box Unearthed e American V: A Hundred Highways, nova coletânea da série lançada em 2006. Um novo volume, American VI, está sendo preparado para o ano que vem. De resto, o que dizer do único homem incluído no Rock and Roll Hall of Fame, Country Music Hall of Fame e Songwriter’s Hall of Fame? As canções de Johnny Cash transcendem décadas, gêneros musicais, premiações, palavras.