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Heath Ledger (1979-2008)

Wednesday, January 23rd, 2008

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Com o talento de sempre, Luis Fernando Verissimo comentou em uma crônica o fato de que todos nós somos mortais e solitários diante da inimiga comum: a “Indesejada das gentes”, para citar a expressão cunhada por Manuel Bandeira. Mais adiante, Verissimo escreve: “Ninguém vive demais. Toda morte é prematura”. De fato. Mas urge dizer que há mortes que são mais prematuras do que outras, e creio que isso se aplica perfeitamente ao caso de Heath Ledger, cujo falecimento me deixou estarrecido no fim da noite de ontem.

Nascido Heathcliff Andrew Ledger no dia 4 de abril de 1979, na cidade australiana de Perth, Heath deixou este mundo em circunstâncias misteriosas e que certamente darão margens a fartas especulações sobre os motivos de sua morte. Mas deixemos os gossips de lado. Indicado ao Oscar de Melhor Ator em 2005 por O Segredo de Brokeback Mountain, Ledger também teve atuações destacadas em filmes como Dez Coisas que Odeio em Você (1999, seu primeiro trabalho em Hollywood), A Última Ceia (2001) e Os Irmãos Grimm (2005). Recentemente, fez aquele que provavelmente será o maior sucesso de bilheteria de toda a sua carreira: Batman - O Cavaleiro das Trevas, no qual interpreta o vilão Coringa (o filme estreará nos EUA no dia 18 de julho). Em breve, Heath será visto nas telas dos cinemas brasileiros como um dos sete atores que interpretam Bob Dylan em I’m Not There, de Todd Haynes. Mas seu último trabalho foi The Imaginarium of Doctor Parnassus, próximo filme de Terry Gilliam, com estréia prevista para 2009.

Ver um ator talentoso, com uma carreira de muito futuro pela frente, morrer com apenas 28 anos de idade, e ainda deixando órfã Matilda, sua filha de 2 anos, é algo que lamento profundamente. Mas enfim, o fato é que a vida não possui rascunho. E agora, só nos resta recordar os seus trabalhos. Em homenagem a Heath Ledger, deixo dois vídeos de cenas marcantes de sua carreira aqui. O primeiro é uma cena na qual ele canta “Can’t Take My Eyes Off You”, sucesso de Frankie Valli, em 10 Coisas que Eu Odeio em Você.

Para encerrar este pequeno tributo, segue abaixo aquela que talvez seja a grande seqüência de toda a sua carreira: a cena final de O Segredo de Brokeback Mountain, um dos mais belos e tristes momentos do cinema contemporâneo, com “The Wings”, tema musical composto por Gustavo Santaolalla para o filme de Ang Lee, ao fundo. Descanse em paz, Heath.

P.S. 1: Em uma de suas últimas entrevistas, o repórter pergunta a Ledger o que mudou em sua vida após o nascimento de sua filha. Eis a sua resposta: “I feel good about dying now because I feel like I’m alive in her. But at the same time, you don’t want to die because you want to be around for the rest of her life”.

P.S. 2: Em um belo artigo escrito para o New York Times, o crítico A.O. Scott afirmou: “O trabalho de Ledger irá sobreviver à histeria. Mas era para ter sido mais. Ao invés de ser lembrado como uma jovem estrela que morreu em seu auge, ele deveria ter tido tempo de crescer seu potencial e se tornar o ator surpreendente, estranho e definidor de uma era que sempre teve o potencial de ser”.

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Um crássico das dublagens toscas

Tuesday, January 15th, 2008

Até pouco tempo atrás, achava que nenhum trabalho de dublagem poderia superar o que havia sido feito com Stallone Cobra. Ledo engano. Fui obrigado a rever minhas opiniões após encontrar no blog do Rodrigo James este crássico, extraído de uma cena de Warriors - Selvagens da Noite, de Walter Hill. Como diria Sílvio Luiz: confiram comigo no replay!

Em tempo: você ainda não viu Sylvester Stallone falando “você é um cocô”? Ah, não seja por isso.

Piores títulos de todos os tempos - III

Thursday, January 10th, 2008

cinderelabaiana.jpg

Cinderela, o conto de fadas escrito originalmente pelo francês Charles Perrault em 1697, livremente inspirado em uma lenda italiana sobre uma gata borralheira, nunca recebeu uma versão tão esdrúxula quanto a cunhada pelo cineasta brasileiro Conrado Sanchez, cujo currículo no IMDB apresenta obras do quilate de Como Afogar o Ganso, Prisioneiras da Selva Amazônica, Viúvas Eróticas e um título que um dia eu haverei de assistir: Amado Batista em Sol Vermelho.

Cinderela Baiana é a obra que imortalizou o nome de Carla Perez na história do cinema tupiniquim. Veja a cena abaixo, uma pequena obra-prima de denúncia social ao som de um antológico sucesso do grupo É o Tchan, e você haverá de concordar comigo. Ou não.

P.S.: Confira os outros posts desta série: “Pum! Emissão Impossível” e “Nut - Nasceu Burro, Não Aprendeu Nada, Esqueceu a Metade”.

Piores títulos de todos os tempos - II

Tuesday, October 30th, 2007

Nut - Nasceu Burro, Não Aprendeu Nada, Esqueceu a Metade é o singelo título em português para The Nutt House, comédia que chama a atenção por dois motivos. O primeiro é a presença da estrela pornô Traci Lords em seu elenco. E o segundo é o fato de a história e o roteiro terem sido co-escritos por ninguém menos que Sam Raimi, diretor dos três filmes da franquia do Homem-Aranha. De quebra, Bruce Campbell, o inesquecível Ash de “Uma Noite Inesquecível”, também faz parte da equipe de roteiristas desta obra. Mas, ao menos aparentemente, Raimi renega a própria obra, uma vez que ele é creditado como “Alan Smithee Jr”. Para quem não sabe, “Alan Smithee” é o pseudônimo costumeiramente usado em Hollywood por diretores e roteiristas que preferiram não ser creditados em um filme, geralmente por discordarem do resultado final. A julgar pelo título em português, creio que Sam Raimi deva ter bons motivos para ter tomado essa decisão…

Veja também: Piores títulos de todos os tempos - I

Os funks do Capitão Nascimento

Wednesday, October 17th, 2007

A febre Tropa de Elite continua rendendo. É uma pena que, no Brasil, ainda não há o espírito de franquia que faz com que um filme dê origem a uma série de produtos que ajudam a recuperar os investimentos feitos. Quando assisti ao filme no cinema, por exemplo, senti falta de uma barraquinha ao lado das bilheterias que oferecesse o boné do Bope, a camiseta oficial dos aspiras, o CD com a trilha sonora e até o boneco do Capitão Nascimento, por que não? Em tempos de Soulseek e eMule, não adianta chorar pelo download derramado: é preciso saber se adaptar aos novos tempos (como já vêm fazendo bandas como Radiohead e Nine Inch Nails) e não depender unicamente do dinheiro dos ingressos de cinema.

Mas tergiverso, tergiverso. Este post, na real, surgiu para falar dos funks que o DJ Raphael Mendes criou aproveitando o atual hype em cima do filme brasileiro mais polêmico dos últimos tempos. O primeiro está hospedado no Metacafe:


Funk do Capitão Nascimento - More amazing video clips are a click away

O segundo, feito em parceria com Antônio Tabet, a.k.a. Kibe Loco, está no YouTube:

Em tempo: é uma pena que o site oficial do filme não tem sequer loja virtual. Fato que, no entanto, não surpreende.

Piores títulos de todos os tempos - I

Wednesday, October 3rd, 2007

pum-emissao-impossivel.jpg

Pum! Emissão Impossível foi descrito, em uma resenha da Folha de S. Paulo, da seguinte maneira: “o grande obstáculo ao sonho de um menino de se tornar astronauta são os problemas intestinais, com a conseqüente emissão de gases“. Segundo a explicação “científica” do filme, os imbróglios de natureza flatulenta do desgraçado rapaz têm motivo genético: o moleque teria nascido com dois estômagos. Ah, a imaginação serelepe desses roteiristas!

A propósito: o título original desta pérola do cinema mundial é Thunderpants, e seu elenco possui atores conhecidos como Paul Giamatti, indicado uma vez ao Oscar (mas não por este filme) e Rupert Grint, o Ron Weasley dos filmes de Harry Potter. Apesar dessas referências, algo ainda não cheira bem nessa história…