Henri Cartier-Bresson

Friday, May 9th, 2008 @ 11:35 am | Fotografia

Crianças em Sevilha, foto de 1933 de Henri Cartier-Bresson.

Fotografar é recortar um determinado espaço em uma específica fração de tempo. Os grandes fotógrafos são aqueles que conseguem ultrapassar essas limitações, fazendo com que essa determinada imagem transcenda molduras e retenha o tempo em seu momento mais preciso. Henri Cartier-Bresson, que morreu em 2004 aos 95 anos de idade, explicou em certa ocasião: “Fotografar é uma questão de colocar o olho, o coração e a mente na mesma linha de visão”.

Cartier-Bresson foi um mestre na combinação entre a intensidade emocional das imagens que fotografava e o apuro estético e formal de seus enquadramentos. Um exemplo: a foto que ilustra este post, que retrata crianças em Sevilha, Espanha, brincando em meio aos escombros da guerra. Seja em seus retratos de personalidades como Albert Camus, Marilyn Monroe ou John Huston, seja ao fotografar anônimos em um piquenique às margens de um rio ou o beijo de um casal em um café parisiense, Cartier-Bresson se destaca pelo olhar apurado, capaz de extrair com naturalidade a poesia surgida a partir de seus jogos de luzes e sombras.

Ao ser entrevistado para um documentário sobre sua obra, Cartier-Bresson foi inquirido a respeito do momento decisivo de se registrar uma imagem. Com a palavra, o mestre: “A gente olha e pensa: Quando aperto? Agora? Agora? Agora? A emoção vai subindo e, de repente, pronto. É como um orgasmo, tem uma hora que explode. Ou temos o instante certo ou o perdemos, e não podemos recomeçar. O desenho é uma meditação, enquanto que a foto é um tiro. Você pode apagar um desenho e fazer outro, você não está lutando contra o tempo. Mas, com a fotografia, há um espécie de angústia constante, pelo fato de você estar presente em um momento que não mais se repetirá. Mas é uma angústia muito calma”.

Publicado por Alexandre Inagaki

2 Responses to “Henri Cartier-Bresson”

  1. Esprit de porc Says:

    É sempre bom lembrar do genial Cartier-Bresson, mas gostaria também de citar dois que considero gênios da fotografia: Manuel Alvarez Bravo e Elliott Erwitt.

  2. Tiago Says:

    Salve Mestre Inagaki!
    Nas minhas procuras pela rede, descobri que a cabeça pop daqui é você, que bom poder visitar mais um espaço com um ar diferente e com a qualidade de sempre!

    Na faculdade de Jornalismo nunca fomos muito longe em explorar os gênios de desenhar com a luz,mais minha paixão sempre foi crescente nessa arte, ver uma foto é enxergar o filho do fotografo nas mãos, e muitos hoje em dia fazem isso por qualquer preço mesmo que para isso seja necessário a mãe ficar viúva.

    Um abraço.
    E a luta continua…

Leave a Reply