All your engrish are belong to us
Wednesday, February 6th, 2008Em tempos de globalização, dominar o idioma inglês tornou-se uma necessidade. O problema é quando as pessoas se viram e tentam aprender a língua de Shakespeare na base da improvisação, tornando-se membros (pouco) honorários da confraria da Embromation Society…

Um clássico do humor involuntário é o livro English As She Is Spoke, escrito em 1855 por Pedro Carolino a partir de um guia de conversação escrito por José da Fonseca. E que, na verdade, veio a se tornar um crássico da arte da tradução. Ou melhor, da “traduction” (sic). Afinal de contas, o que dizer de um livro que traduz “que horas são” como “what o’clock is it?” e “confie em mim” como “put your confidence at my”? E que transpõe para o engrish ditados como “quem cala consente” (“that not says a word, consent”) ou “as paredes têm ouvidos” (“the walls have hearsay“) de uma maneira capaz de fazer corar até o pior aluno do Yázigi?

Muitos anos depois, Millôr Fernandes escreveu The Cow Went To The Swamp. Só que desta vez, estamos diante do caso de um escritor que, além de dominar perfeitamente o idioma anglo-saxão, cria traduções de efeito humorístico totalmente proposital, ao contrário das desastradas adaptações cometidas por Pedro Carolino. Eis alguns exemplos cunhados por Millôr:
Cu de bêbado não tem dono - A drunkard’s ass has no owner
Fez dele gato e sapato - She made cat and shoe out of him
Liberou geral - Liberated all around
Matar a cobra e mostrar o pau - To kill the snake and show the prick
Vamos fazer uma boquinha - Let’s make a little mounth

A fim de encerrar esta aula expressa de Engrish, nada mais adequado do que um exemplo audiovisual: um comercial de TV para uma escola de inglês que mostra que esse negócio de ficar cantando músicas com letras que não entendemos é coisa de quem não entende porra nenhuma. Ou, como diria Millôr na tecla SAP, de gente que “didn’t understand any sperm”…
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