A quarta temporada de Lost começará a ser exibida na Gringolândia no dia 31 de janeiro. Por causa da greve dos roteiristas de Hollywood, apenas oito episódios inéditos serão exibidos. Enquanto esse imbróglio não é resolvido, caiu na rede um vídeo que sintetiza os principais eventos das três primeiras temporadas da série mais intrigante dos últimos tempos em apenas 8 minutos e 15 segundos. Duvida? Então clicaê.
Vale a pena lembrar que a moda de sintetizar temporadas anteriores de seriados em vídeos breves foi iniciada por Paul Gulyas e Joe Sabia, dupla que resumiu seis temporadas da Família Soprano em um vídeo que virou até matéria no New York Times: “Seven Minute Sopranos”.
Certos jingles possuem a capacidade de ficarem na memória afetiva da gente, perdurando mais que a própria empresa que os encomendou. Um bom exemplo do que digo é “Quero Ver Você Não Chorar”, criado para uma campanha de Natal do finado Banco Nacional.
Lula Vieira, diretor do comercial original, de 1971, chamou o amigo Edson Borges de Abrantes, vulgo Passarinho, grande parceiro de Dolores Duran, para compor a trilha sonora da propaganda. Edson adaptou uma composição originalmente feita para seu grupo, “Os Titulares do Ritmo”. A letra sofreu algumas adaptações, que fizeram com que o jingle fosse popularmente conhecido como o “Melô do Sexo Anal”. Tsc, tsc, que maldade desse pessoal que leva tudo por trás… Sigam a bolinha pulando e confiram a ingenuidade (ou não) desta letra.
Quero ver você não chorar, não olhar pra trás nem se arrepender do que faz Quero ver o amor vencer, mas se a dor nascer você resistir e sorrir Se você pode ser assim, tão enorme assim eu vou crer Que o Natal existe, que ninguém é triste, que no mundo há sempre amor Bom Natal, um Feliz Natal, muito amor e paz pra você Pra você…
Não encontrei no YouTube a versão original dessa campanha, que contava inclusive com a presença de Zacarias (ele mesmo, o cara dos Trapalhões) como o regente do coral de crianças. O vídeo acima foi realizado em meados dos anos 80, e é a versão mais popular desse comercial. Porém, desgraçadamente este jingle ganhou nova versão nas vozes de Zezé di Camargo & Luciano, que embala os infames comerciais natalinos das Lojas Marabrás. Coisas da cultura de reciclation society que impera atualmente na publicidade. Como diria Kléber Bambam, “faz parte”. Mas enfim, o importante é o que importa: um Feliz Natal a todos os leitores do Pop Cabeça! :)
Em 2005 o fotógrafo novaiorquino Noah Kalina postou no YouTube um vídeo reunindo as fotos que ele tirou de si mesmo durante seis anos. O vídeo tornou-se sucesso imediato e inspirou centenas de internautas a produzirem obras semelhantes, além de inspirar campanhas publicitárias. Para quem ainda não faz parte da multidão que fez com que o vídeo já tenha tido mais de 7 milhões de visualizações, ei-lo:
Pois bem, agora este vídeo recebeu uma das maiores consagrações que é possível ter: uma sátira dos Simpsons, que inclusive usa a mesma trilha sonora, composta por um amigo de Noah, Carly Comando.
Não é a primeira vez que os produtores dos Simpsons mostram estar atentos aos fenômenos do YouTube. Já viram esta sátira ao clipe “Here It Goes Again” do Ok Go?
A partir desta semana, passarei a desovar séries de informações inúteis que permanecem retidas na minha cabeça sabe-lá o porquê, e que eu preciso publicar em algum lugar pra ver se me livro delas. Memória é um lugar muito estranho.
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1. No final dos anos 70, Silvio Santos intercalava os quadros de seu programa dominical com o programete A Semana do Presidente, dedicado a acompanhar as atividades de João Baptista Figueiredo entre o Palácio do Planalto e a Granja do Torto, onde morava. Recepção de embaixadores, excursões escolares e desfiles comemorativos da Semana da Pátria eram algumas de suas “atrações”, indefectivelmente narradas em “off” pelo Lombardi.
2. Um dos primeiros trabalhos de Antônio Augusto de Morais Liberato (jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero conhecido popularmente pela alcunha de Gugu) no SBT foram as reportagens da Semana do Presidente.
3. A partir dos anos 80, a Semana do Presidente (que então passou a veicular as estripolias de José Sarney) passou a ser precedida por uma vinheta que mostrava um homem personificando Jesus Cristo. Enquanto seu rosto era exibido sob uma discreta penumbra, uma voz narrava o seguinte texto:
“Paz, amor, fé, esperança, luz e união não são apenas palavras. Você tem certeza de que já fez tudo que podia pelo seu semelhante? Pense bem, pois um dia vamos nos encontrar. E eu gostaria muito de chamá-lo de meu filho“.
Muitas crianças dessa época têm pesadelos até hoje com essa vinheta (há uma comunidade no Orkut com o singelo nome de “Cagava de Medo do Jesus do SBT“), inclusive porque o ator que interpretava Jesus piscava no meio do vídeo. Confiram com seus próprios olhos.
4. Após fazer a Semana do Presidente e a Sessão Premiada (espaço que o SBT reservava à exibição de filmes como “A Gang dos Dobermans” e “Homem-Cobra”, e na qual Gugu atendia a alguns telefonemas de telespectadores durante os intervalos, concorrendo a prêmios como TVs a cores), sua grande chance veio enfim em 1982: o programa Viva a Noite.
5. “O Homem-Cobra”, produção de 1973, narra a história de um cientista que desenvolve um soro capaz de transformar seres humanos em… bem, você sabe. Sua justificativa demente: com o planeta cada vez mais poluído e superpovoado, a tendência é da raça humana ser levada à extinção. Porém, se todos nós nos transformássemos em ofídios, teríamos melhores chances de sobrevivência. Na falta de voluntários que topassem experimentar o tal soro, o cientista maluco resolve usar o namorado da própria filha para fazer suas experiências (sem que ele saiba o que está tomando, é bóbvio). Esse incauto é interpretado por Dirk Benedict, o “Cara-de-Pau” do seriado Esquadrão Classe A, que ao decorrer do filme vai paulatinamente se transformando em cobra (só assistindo ao filme para crer nessa premissa). Apesar do argumento esdrúxulo, esta ficção científica não é das piores. A propósito: o título original do filme é “Sssssss”.
6.Viva a Noite não demoraria a fazer sucesso, impulsionado por gincanas entre homens e mulheres (nos mesmos moldes do atual Domingo Legal), quadros como o concurso do Rambo Brasileiro (fisiculturistas e afins iam ao palco fazer performances fantasiados como o personagem de Sylvester Stallone) e o “Sonho Maluco” (telespectadores enviavam cartas à produção contando sonhos que gostariam de protagonizar no programa com algum artistas). Gugu era coadjuvado por personagens como Nhá Barbina e Bugaloo.
7. Um dos Sonhos Malucos mais antológicos de todos os tempos foi protagonizado pelo grupo Titãs, convencido pela produção do Viva a Noite a “salvar” uma fã presa numa teia de aranha (?) improvisada em um viaduto na Santa Efigência, bairro de São Paulo. Outros Sonhos Malucos incluem o pedido de um engraxate para lustrar a cabeça da cantora Maria Alcina (que na época adotara um look careca) e outra que pediu para deitar-se com o Zé do Caixão dentro de um… caixão.
8. Enquanto isso, a final do concurso de Rambo Brasileiro teve direito a um programa especial. Em meio às performances dos concorrentes (gravadas no Playcenter), grupos musicais se apresentavam fazendo playbacks, com direito até a atração internacional: os roqueiros da banda Gene Loves Jezebel.
9. Todo programa Viva a Noite era finalizado por uma apresentação musical interpretada pelo próprio Gugu, com direito a coreografias das assistentes de palco (sendo que a mais conhecida delas era Mariette, que estrelaria depois uma capa da revista Playboy). Algumas das trilhas sonoras de encerramento: “Meu Pintinho Amarelinho”, “Baile dos Passarinhos” e “Dança da Galinha Azul” (na verdade um jingle dos temperos Maggi).
10.Viva a Noite saiu do ar em 1992. Gugu Liberato, apesar de ter ganho um espaço dentro do programa Silvio Santos aos domingos, relutou em deixar o horário que o consagrou na TV, os sábados à noite. Por algum tempo passou a apresentar então o Sabadão Sertanejo, programa dedicado aos então ascendentes “astros” da música caipira. Entre um e outro playback, o grande destaque do programa era o singelo quadro Concurso da Camiseta Molhada, cujo nome dispensa maiores explicações sobre seu conteúdo.
Antes de mais nada, um alerta: quem não conhece as músicas de Johnny Cash (1932-2003) precisa preencher o quanto antes essa lacuna. Sua cinebiografia é uma introdução razoável à vida e obra do Mestre, mas se você não ouvir canções como “Folsom Prison Blues”, “Cry, Cry, Cry” ou “Cocaine Blues”, corra atrás: garanto que você um dia me agradecerá por isso.
Pois bem: o singelo anúncio acima foi publicado na revista Billboard em 1998, em comemoração ao Grammy de Melhor Álbum Country que Cash recebeu por “Unchained”, disco produzido por Rick Rubin (o mesmo de grupos como Run DMC e Red Hot Chili Peppers). O texto é saborosamente irônico: “American Recordings e Johnny Cash gostariam de agradecer a indústria musical e as rádios country de Nashville pelo seu apoio“.
Na época da premiação, Cash, aos 65 anos de idade, estava indignado com o establishment: apesar da aclamação unânime da crítica, suas músicas eram simplesmente desprezadas pelas rádios country americanas, que consideravam seu som anacrônico (apesar de “Unchained” conter regravações de músicos contemporâneos como Soundgarden e Beck). Mas não apenas ele: seus colegas de geração, como os veteranos mestres do country Willie Nelson, Merle Haggard e George Jones, também eram sumariamente ignorados pelas FMs em geral.
Johnny, “The Man in Black“, nunca foi de fugir a uma briga. Em 1988, Cash começava a sofrer as primeiras seqüelas do Mal de Shy-Drager, doença degenerativa semelhante ao Mal de Parkinson. Contudo, apesar da saúde debilitada, não deixou perder a oportunidade de criticar a mediocridade das estações musicais americanas. Rick Rubin, seu produtor, tratou de financiar o anúncio, que foi primorosamente ilustrado com uma foto do “homem de preto” tirada em 1970, durante um show realizado na prisão de San Quentin, na Califórnia. No rodapé da foto, outra frase significativa: “obrigado a todos que fazem a diferença: vocês sabem quem são“.
Johnny Cash, ignorando os problemas de saúde, gravou álbuns até os 70 anos. Seu último álbum lançado em vida foi o primoroso “American IV: The Man Comes Around” (2002), que inclui a regravação de “Hurt”, do Nine Inch Nails. O clipe desta música, um verdadeiro réquiem que conta com a participação de June Carter, sua esposa e companheira de toda uma vida (falecida em maio de 2003), e exibe imagens de toda a carreira de Cash, foi dirigido por Mark Romanek e fez estrondoso sucesso: foi indicado a sete categorias no MTV Video Music Awards, ganhou o Grammy de melhor vídeo musical e ainda foi eleito o melhor clipe de country music de todos os tempos segundo o canal especializado CMT.
Após a morte de Johnny, ocorrida em 12 de setembro de 2003, foram feitos mais dois lançamentos com gravações inéditas: o box Unearthed e American V: A Hundred Highways, nova coletânea da série lançada em 2006. Um novo volume, American VI, está sendo preparado para o ano que vem. De resto, o que dizer do único homem incluído no Rock and Roll Hall of Fame, Country Music Hall of Fame e Songwriter’s Hall of Fame? As canções de Johnny Cash transcendem décadas, gêneros musicais, premiações, palavras.
Em 1976 Andrew Gold lançou um disco com a capa acima, afirmando que há 32 coisas erradas na foto. Há tempos o cantor prometeu publicar uma lista completa desses erros em seu site, mas até agora necas de pitibiriba. Será que você consegue encontrá-los? Confesso que perdi um tempão distraído com essa imagem…
P.S. 2: Um incauto elaborou sua própria lista de erros. Mas não vá trapacear e clicar no link deste post scriptum antes de tentar encontrá-los por conta própria!