Este blog mudou de endereço…

May 16th, 2009

Gostaríamos de avisar amigos, clientes e fornecedores que o Pop Cabeça agora atende em novo endereço. De hoje em diante, estaremos hospedados no Portal MTV. Atualizem, pois, os seus feeds. Até lá!

popcabeca


Existe vida após “Dick in the Box”: a nova parceria de Justin Timberlake & Andy Samberg no SNL

May 13th, 2009

No Saturday Night Live da semana passada, Justin Timberlake mais uma vez foi o apresentador convidado da noite. E o ex da Britney mostrou mais uma vez que tem o dom da comédia. Além de ter resgatado a esquete co-estrelada por Jimmy Fallon do talk show dos irmãos Gibb, Timberlake novamente fez uma parceria musical com Andy Samberg.

Da primeira vez em que Andy (que será o apresentador do MTV Movie Awards 2009) e o ex da Cameron Diaz gravaram um “digital short” para o SNL, em dezembro de 2006, eles cunharam um verdadeiro clássico pop instantâneo: a pérola “Dick in the Box”, sátira das baladas brega-pop-palhas dos anos 90. A música fez um tremendo sucesso, a ponto de ganhar verbete na Wikipedia e o prêmio Emmy de melhor canção original para a TV. Prêmios mais do que merecidos, como mostra o vídeo a seguir.

Pois bem: após a tremenda repercussão que “Dick in the Box” ganhou, em especial nos sites de compartilhamento de vídeos Web afora, a expectativa em torno da nova pérola da dupla Samberg & Timberlake. E eis que ela veio à tona: “Motherlover”, uma singela canção em homenagem ao Dia das Mães, com as participações especiais das atrizes Susan Sarandon e Patricia Clarkson. Recomendo que vocês cliquem aqui para conferir a letra na íntegra da canção, que sugere um troca-troca e um singelo presente para as respectivas mães da parceria mais do que musical da dupla:

’Cause every Mother’s Day needs a Mother’s Night
If doing it is wrong, I don’t wanna be right
I’m callin’ on you ’cause I can’t do it myself
to me you’re like a brother, so be my mother lover

Last but not least: confiram a matéria da Rolling Stone sobre “Motherlover”. Será que vem mais um Emmy por aí?


Louise Brooks, a mulher da caixa de Pandora

April 25th, 2009

Ela fez pouco mais de vinte filmes, alguns em pontas quase imperceptíveis, outros com cópias já perdidas ao longo dos anos. No entanto, bastou ter estrelado uma única produção, A Caixa de Pandora, dirigida por G.W. Pabst em 1929, para que fosse perenemente lembrada como uma das musas mais fascinantes de toda a história do cinema.

Foto encontrada no Tumblr Big Fun.

Mary Louise Brooks, nascida no empoeirado ano de 1906, foi uma mulher liberal, libertária, libertina avant la lettre. Trabalhou como modelo, dançarina e cortesã. Desistiu de estrelar Inimigo Público, filme protagonizado por James Cagney que poderia ter revitalizado sua carreira cinematográfica, porque preferiu ficar com o seu amante. Deixava seu superego de lado ao fazer declarações. Não tinha pudores em posar para fotos ousadas ou atuar em filmes controversos para a sua época, e pagou o preço por essas atitudes. Largou precocemente o cinema em 1938, aos 32 anos de idade. Chegou a escrever uma autobiografia, mas incinerou todos os manuscritos. Viu seus filmes com G. W. Pabst serem resgatados por críticos nos anos 50, quando já vivia reclusa em Nova Iorque, longe dos seus tempos de Hollywood. Morreu em 1985, aos 78 anos de idade. Deixou, porém, um legado inolvidável para os cinéfilos: sua atuação no papel da trágica e impulsiva Lulu em Pandora’s Box.

DVD de Pandora's Box, com Louise Brooks.

O longa-metragem causou controvérsia, em especial por causa das atitudes da personagem Lulu, uma mulher sexualmente livre (Pandora’s Box, diga-se de passagem, foi o primeiro filme a exibir uma cena de lesbianismo). Também marcou época o visual de Louise Brooks, e em especial o seu corte de cabelo, curto com franjas. O desenhista italiano Guido Crepax criou a personagem Valentina, uma fotógrafa sensual, baseado no visual de Lulu. Do mesmo modo, o escritor argentino Adolfo Bioy Casares admitiu que tinha a imagem de Louise Brooks em mente como inspiração para a sua personagem Faustine na obra-prima A Invenção de Morel, livro publicado em 1940. Não posso deixar de citar ainda a Louise Brooks Society, fã clube online da atriz, e o trabalho do grupo pop OMD, que em 1991 lançou o sucesso “Pandora’s Box”, cujo videoclipe usa imagens do filme, prestando um belo tributo a Brooks.

No YouTube, uma dica imperdível é assistir ao documentário Lulu in Berlin, de Richard Leacock e Susan Steinberg Woll, que resgata a obra de Louise Brooks através de uma entrevista concedida pela atriz em 1974 (confira aqui as partes 1, 2, 3 e 4 de Lulu in Berlin). O documentário mostra uma mulher que, apesar da passagem do tempo, permaneceu bela, lúcida e articulada. É realmente triste saber que o talento e a personalidade de Louise Brooks não foram tão aproveitados pela sétima arte quanto poderiam ter sido.


Um widget bacana da Red Hot Organization

March 15th, 2009

Desde 1989 a Red Hot Organization organiza álbuns com músicas gravadas por diversos artistas. As receitas obtidas com essas compilações, geralmente temáticas (como foi o caso de Red Hot + Blue, só com covers de composições de Cole Porter, ou Red Hot + Rio, um tributo à MPB e a Tom Jobim em especial), são destinadas a fundos e organizações que combatem a AIDS e o vírus HIV. O próximo álbum, diga-se de passagem, será o Red Hot + Rio 2 - The Next Generation of Samba Soul, que contará com gravações de artistas como Céu, José González, Curumin e Bebel Gilberto.

Enquanto a nova homenagem à MPB (que destinará parte de suas rendas para a Brazil Foundation) não sai, o álbum mais recente produzido pela Red Hot Organization é Dark Was the Night, CD duplo que contém 31 faixas inéditas de nomes do naipe de Sufjan Stevens, Yo La Tengo, Bon Iver, Iron and Wine e Feist. A fim de divulgar a compilação, um widget supimpa foi criado para ser embedado à vontade em blogs, fóruns e qualquer outro espaço disponível na Web. Basta clicar aqui, selecionar 3 das 31 faixas do álbum e, por fim, copiar e colar o código-fonte disponibilizado na página. Minhas três escolhas foram: Beirut, Arcade Fire e Cat Power.


“All Nightmare Long”, o clipe matador do Metallica

March 15th, 2009

Um dos melhores videoclipes produzidos em 2008 foi o de “All Nightmare Long”, do grupo Metallica. Primeiro, porque fala de zumbis; filmes como “A Noite dos Mortos-Vivos”, “Extermínio”, “A Volta dos Mortos-Vivos” e “Dia dos Mortos” fizeram deste gênero cinematográfico um dos meus prediletos. Segundo, porque aproveita a estética russa e o bacanudo alfabeto cirílico. Terceiro, porque simula a linguagem dos documentários ao mesmo tempo que a mescla com cenas de animação. E quarto, porque faz uma mistureba de invencionices oriundas da cabeça de seu diretor, Roboshobo, com fatos reais (ou quase), como a incrível história do Dr. S.S. Bryukhonenko, do Instituto de Fisiologia e Terapia Experimental (sediado na finada União Soviética), que supostamente conseguiu manter artificialmente viva uma cabeça de cachorro. Sandices demais para um vídeo? Então assista-o; como diria São Tomé, só mesmo vendo pra crer.

P.S.: Confira também “Metallica: Zumbis Soviéticos de Tunguska”, artigo escrito por Kentaro Mori para o blog Sedentário & Hiperativo.


“The Sound of Motown” no YouTube

January 12th, 2009

Obrigado, YouTube, mais uma vez. Graças ao seu usuário Ricardo266, posso usufruir das apresentações que grupos e cantores do naipe de Martha Reeves & The Vandellas, The Supremes, Smokey Robinson & The Miracles, The Temptations e Stevie Wonder fizeram no programa Ready Steady Go!, apresentado pela diva inglesa Dusty Springfield. Os vídeos foram originalmente filmados em 18 de março de 1965, e apresentam alguns dos nomes mais representativos da fantástica gravadora Motown, fundada por Berry Gordy há exatos 50 anos, fazendo medleys de clássicos como “My Girl”, “Stop! In the Name of Love” e “Dancing in the Street’”. Deleitem-se.

RSG! The Sound Of Motown (1965) #1

RSG! The Sound Of Motown (1965) #2

RSG! The Sound Of Motown (1965) #3

RSG! The Sound Of Motown (1965) #4

RSG! The Sound Of Motown (1965) #5

RSG! The Sound Of Motown (1965) #6

RSG! The Sound Of Motown (1965) #7


A autoentrevista de Maysa Matarazzo

January 10th, 2009

Em voga por conta do sucesso da minissérie Maysa - Quando Fala o Coração, baseada na biografia atribulada da cantora, o aumento do interesse na obra de Maysa Matarazzo fez com que muitos passassem, enfim, a conhecer as interpretações de uma das maiores divas que a MPB já teve. Mas, por mais que biógrafos e dramaturgos busquem esmiuçar as histórias de sua vida, não há registro mais preciso de todas as emoções, contradições e sentimentos de Maysa que não sejam as suas próprias palavras.

Em 1961, a revista Manchete propôs o seguinte desafio à compositora de “Meu Mundo Caiu”: fazer uma autoentrevista na qual ela se comprometeu a responder todas as perguntas para as quais nenhum repórter havia conseguido respostas. O resultado: declarações desconcertantes, marcadas pela sinceridade passional que marcou toda a vida e carreira desta intérprete que está sendo redescoberta por toda uma geração graças à minissérie dirigida por seu próprio filho, Jayme Monjardim. Confiram a seguir os petardos verbais desferidos por esta fascinante cantora: Maysa Figueira Monjardim Matarazzo.

Você é masoquista?

Às vezes. Considero masoquismo aturar sem queixas uma porção de pessoas. Detesto gente burra e vivo me encontrando com elas.

Se é só este o seu masoquismo, por que você vive atritando fitas de papel com os dedos, até fazê-los sangrar?

Até sangrar é exagero. Tenho este hábito desde menina. Acho que é uma preparação inconsciente para enfrentar as dores que o destino sempre me reserva. Dor física, aliás, jamais me fez medo. Tenho medo apenas do que não depende de mim: amar e não ser amada, por exemplo.

Pensar enlouquece. Pense nisso.
A bela capa de um compacto que Maysa gravou no final de 1967, lançado na Espanha no ano seguinte.

Seu êxito dependeu apenas de seu talento?

Já fiz muitas concessões para obter sucesso e hoje estou profundamente arrependida. Agora não há fabricante de discos que me faça gravar o que eu não sinta.

Caso fosse possível você deixaria de cantar imediatamente?

Não, para a gente deixar de fazer qualquer coisa que nos afirme é preciso substituí-la, sempre, por algo melhor. Para mim, a única coisa melhor do que cantar seria… cantar só para quem eu amasse.

Pensar enlouquece. Pense nisso.
Maysa ao lado de André Matarazzo, seu primeiro marido, considerado o grande amor de sua vida, com quem se casou aos 17 anos de idade, e de quem se separou em 1957.

Eu sei que você não “ama” seu atual publico no Copacabana. Mas pelo menos gosta dele?

Por enquanto, não. Grã-fino, geralmente, não gosta de musica e muito menos de artista brasileiro.

É por isso que você bebe minutos antes de cantar?

A bebida é a bengala de um velhinho que mora em minha personalidade. Mas tenho certeza de que uma criança que existia em mim, antes de tantas coisas acontecerem, um dia voltará. Só então saberei quem sou.

Mas você não bebe somente antes de entrar em cena, não é? Por que você bebe de modo geral?

Primeiro porque quero. Depois porque trabalho para pagar o que eu bebo. Finalmente, porque tenho senso de autocrítica. Muitas vezes reconheço-me insuportável e eu só suporto os insuportáveis bebendo.

Você acredita que um dia deixará o álcool?

Deixarei a bebida quando encontrar o amor. Mas para amar é preciso estar preparada. Quero, preciso e ainda amarei.

Pensar enlouquece. Pense nisso.
Maysa Matarazzo (1936-1977) inspirou o poeta Manoel Bandeira a escrever os seguintes versos: “Os olhos de Maísa são dois não sei quê/ Dois não sei como diga/ Dois Oceanos Não-Pacíficos”.

Você se sente sozinha? Tem medo de ficar sozinha?

Pavor. Quando estou só, tenho certeza de que sou maior do que eu mesma e isto me apavora. Ninguém deve conhecer a sua própria dimensão.

Você já tentou se matar algumas vezes. Em qual delas foi sincera?

Em todas. Mas em nenhuma eu quis morrer imediatamente. Por isso morria pouco. Só uma coisa me faria morrer até o fim: o amor.

Texto relacionado: “Maysa, uma cantora solitária em uma multidão de amores”.